Sunday, September 26, 2010

Ethereal

Vamos ser sinceros: dentre os estilos aceitos pela subcultura gótica não existe nenhum mais “distante” e ao mesmo tempo mais “perto” do que o ethereal. É um estilo que agregou para si diversos ritmos da música erudita, da música folclórica, da música eletrônica, do darkwave e ainda sim causa muita estranheza e confusão a muitos. É um estilo apreciado dentro e fora da cena gótica e, inclusive, é muito apreciado por músicos e fãs de black metal. Seja pela atmosfera altamente introspectiva, seja pela viagem que a sonoridade nos convida, isso é o ethereal.


Origens da sonoridade

Uma coisa que tem que ser deixada bem clara é a relação entre a sonoridade e a nomenclatura da mesma. O gênero existiu bem antes de ter o nome que tem hoje. E quem começou isso foram os grandes mestres da música etérea: o grupo australiano Dead Can Dance.

Formado em 1981 e contando com Brendan Perry e Lisa Gerrard, lançaram em 1984 o seu primeiro cd auto-intitulado. Nele havia uma  Spleen and Ideal, disco que consolidaria as bases do novo estilo, ainda sem nome nessa época. Vocais líricos masculinos e femininos de forma muito diferente da convencional para a época (que sugeriam ao mesmo tempo um sussurro e um canto erudito), forte presença de música erudita e medieval e letras muito mais intelectualizadas. O nome do disco é tirado de um livro de Charles Baudelaire, “Les Fleurs du Mal” (As Flores do Mal) e as letras desse cd se baseiam nesse escritor e em Thomas de Quincey, autor do livro “The Confessions of an English Opium-Eater” (Confissões de um Comedor de Ópio). E essa atmosfera carregada de simbolismos e sugestões que permearia o ethereal,
forte presença de gothic rock e post-punk, mas já daria mostras de como a banda seria inovadora dali por diante. Vocais mais sublimados, instrumental extremamente sombrio e atmosférico, somada a uma atmosfera muito diferente do que faziam as bandas góticas da época. No ano seguinte lançariam

Vale abrir um parêntesis aqui. A sonoridade pega, em termos de construção, muitas das idéias do Simbolismo francês. Esse movimento primava e muito pela atmosfera do etéreo, do sugestionado, do sublime, do espiritual. Em busca dessas sonoridades que o Dead Can Dance criou seu estilo, muito mais bonito artisticamente e conceitualmente do que outros grupos musicais no mesmo período.

Voltando ao grupo australiano, eles lançaram depois os discos Within the Realm of a Dying Sun (em 1987) e The Serpent's Egg (em 1988). Esses discos se afastariam totalmente daquele clima mais rock e entrariam quase no meio da música neoclássica e também no new age, ao combinar música medieval, música erudita, música folclórica, canções “a Cappella”, canções com vocalises (que é quando se canta as músicas sem nenhuma letra, cantando apenas sobre vogais, como acontecia na música medieval polifônica), como se percebe em canções como “Summoning of the Muse”, letras em outros idiomas (como latim, persa e catalão) e um estudo muito grande em busca de novas sonoridades.


Origem do rótulo

Certo, até aqui o Dead Can Dance fazia sua sonoridade, mas ela ainda não tinha nome. Existiam outros grupos que apostavam nessa sonoridade, como o This Mortal Coil, que apostava em regravações atmosféricas para clássicos de artistas como Alex Chilton, Chris Bell, Roy Harper, Gene Clark e Tim Buckley. Mesmo assim, até então, poucas bandas haviam apostado nesse tipo de som e mesmo ele não tinha um nome próprio, sendo chamado de neoclássico ou mesmo new age.


Em meados de 1990 surge a gravadora Projekt, fundada por Sam Rosenthal do Black Tape For A Blue Girl. Cria-se na Alemanha o selo Hyperium (que é um distribuidor do Projekt na Europa) e lança-se a coletânea Heavenly Voices, coletânea que contava com bandas que possuíam fortes influencias de Dead Can Dance e tendo como destaque os vocais femininos. Essa gravadora, com esse selo, cria o rótulo “ethereal”, para designar a atmosfera que esse som ressalta.

A gravadora não foi somente importante para o ethereal. O darkwave deve muito a ela também pela força que tem hoje, uma vez que ela foi, junto com a Cleopatra Records e a Cold Meat Industry (voltada mais para a música eletrônica e o dark ambient).

Com o Heavenly Voices criou-se o que seria padrão para as bandas de ethereal, seja em termos de sonoridade, seja em termos de público ou mesmo de músico que procuraria fazer esse tipo de som. Hoje essa sonoridade não está mais ligada somente aos grupos do Hyperium, mas a muitos outros que, vez por outra, também se inspiram na música etérea.



Sonoridade e temáticas

E o que define a sonoridade do Ethereal, afinal de contas? O que me faz saber se um grupo é ou não é ethereal, afinal de contas?

Sonoramente falando, ele flerta muito com o neoclássico e com o new age. É muito fácil pensar em grupos como Enigma como ethereal, uma vez que possuem uma temática mais sombria e até mesmo elementos eletrônicos bem visíveis. Só que a grande chave do ethereal é justamente a idéia da sugestão, do etéreo, que é dado sobretudo pelo vocal. A importância dele é enorme no som, uma vez que ele, que sempre passa a idéia de algo sussurrado. Há uma predominância de vozes femininas líricas, havendo poucos homens cantando nesse estilo. Os poucos que cantam também usam do canto lírico, erudito, sem soar forçado ou mesmo extremamente agudo. Isso se configura pelos seus músicos quase sempre formados em música erudita. A voz passa a ter a importância de um instrumento musical, em vez de ser a base ou mesmo o complemento para todo o resto.

Em termos de melodia instrumental, há uma mescla com o darkwave e com diversos gêneros, como a música medieval, folclórica, celta, erudita e também alguns experimentalismos eletrônicos. Grupos como Lycia mesclam também música européia e música pop. O gênero se mostra muito versátil, pois combina instrumentos acústicos com batidas eletrônicas e música pop. Sua orientação sonora se dá por um clima eletrônico
ambiente, o que dá uma cara muito mais atmosférica ao som. Esse clima, aliás, é a maior marca do ethereal, esse som extremamente carregado e atmosférico.

A temática sonora é diversa. Ela pode ser totalmente voltada para o darkwave, perceptível em grupos como Black Tape for a Blue Girl e Collection D’Arnell-Andréa, voltada para a música erudita, como no Autunna et as Rose, voltada para a música folclórica medieval, tendo seu maior expoente o grupo italiano Ataraxia, voltados para uma temática mais introspectiva e atmosférica, como o Lycia. Existe um gênero nascido dentro desse círculo denominado Ethno-Fusion, que é ethereal feito com música de paises da Europa Oriental e da África, tendo um dos maiores nomes o grupo francês Rajna.




Legado e influências

A contribuição para a música dos grupos de ethereal é enorme e bem marcante. A própria concepção do estilo trouxa para a música popular ritmos que costumam ser ignorados pela maioria das pessoas, como a música africana, a música indiana, o canto sacro, a música medieval e traz a esses ritmos um toque mais moderno, mais contemporâneo.

Como já foi citado, o estilo do ethno-fusion (ou simplesmente etno) nasceu dentro desse circuito, trazendo para o grande público um som orientado aos sons considerados pelo europeu como “exóticos”, diferentes, por fugir daquele padrão neoclássico ao qual estão acostumados.
Criou-se também um outro subestilo, o dream-pop. Collide, Galaxy 500, Strange Boutique etc. incoporariam outros elementos ao dream-pop, como o Trip Hop e o rock alternativo.

Esse estilo vai pegar toda a atmosfera do ethereal e mesclar com o post-punk e com a música pop, dando uma cara mais “rock” ao gênero. O Cocteau Twins é considerado o primeiro grupo de dream-pop, misturando post-punk, gothic rock e ethereal. Mais para frente grupos como

Por conseqüência influenciou também no shoegaze, que é uma versão mais pesada e violenta do dream-pop. Antigamente, antes de se tornar um estilo independente do dream-pop, o shoegaze nasceu da mistura com um rock mais barulhento e pesado (que hoje se chama de indie rock). Nasceu da atmosfera introspectiva que o som herdou do ethereal, que criava um certo desligamento do artista com sua realidade durante o show, não se importando com nada ao redor, nem mesmo com o público. Era freqüente que olhassem para o chão, numa tentativa de ignorar totalmente o que estivesse ao redor (daí o termo shoegaze, que era o ato de ficar olhando para o brilho dos próprios sapatos). Grupos e artistas como Sigúr Ros, Björk, The Verve etc. ficariam famosos ao redor do mundo exatamente por terem essa postura e esse grau de experimentalismo com a música ambiente, herdados indiretamente do ethereal.

Aconteceu também uma influência desses dois estilos no próprio ethereal. O Dead Can Dance, o Lycia, o Love Spirals Downwards, o Faith and the Muse e outros grupos passariam a incorporar alguns elementos dos novos estilos e trazer uma mistura ainda maior a salada que é o ethereal.


No metal houve uma influência muito marcante do gênero. O My Dying Bride é claramente influenciado pelo ethereal, pelos vocais mais sublimados, pelo som mais atmosférico, pelo clima triste e melancólico. As bandas de doom com sonoridade mais atmosférica costumam sempre se inspirar no ethereal, como acontece com os italianos do Void of Silence.

O black metal atmosférico é altamente influenciado da mesma forma que o doom metal. O Summoning é uma prova disso, por conta de seu idealizador, Richard Lederer, que também possui trabalhos darkwave, como o Die Verbantenn Kinder Evas e o Ice Ages. O Alcest vai usar da mesma base de Lederer, tocando um black metal atmosférico com influencias de ethereal e, sobretudo, do shoegaze, assim como o The Angel Process, que toca um som orientado ao metal, mesclado com música ambiente e shoegaze.


O estilo hoje

Hoje a impressão que se tem é que o ethereal tenha caído do gosto das pessoas. Poucos grupos têm surgido nesses últimos anos, os mais antigos têm terminado (como o Lycia) ou mesmo estão parados por tempo indeterminado (como o Dead Can Dance).

Só que o estilo não morreu. Tem muitas bandas que ainda apostam nesse segmento, como o Rajna, o The Downward Path, o Scarlet Leaves, entre outros. Grupos mais antigos que ainda estão na ativa, como o Ataraxia, o Chandeen e o Collection D’Arnell-Andréa.

O neofolk tem sofrido muitas influencias do ethereal, perceptível nos trabalhos do Faun, Moon Far Away, Liholesie, Sopor Aeternus (embora ele oscile muito entre o ethereal e o neofolk), Allerseelen. Há ainda ethereal influenciando gothic rock como acontece nos trabalhos do Violet Tears. E não podemos esquecer dos grupos de neoclássico/dark ambient, como o Elend, o Dark Sanctuary e o Autumn Tears, que mostram claros indícios de Dead Can Dance no som.

Ethereal não é um estilo simples. É muito rico, muito mais do que simplesmente fingir que coloca música erudita. Muito mais do que tentar fazer um som complexo para parecer bom. Ele alia simplicidade com técnica, alia experimentalismo a música popular e requer maturidade. Maturidade para entender como se pode misturar tanta coisa, como se pode ser técnico e, acima de tudo, criativo, rompendo as barreiras do seu próprio estilo.

Para finalizar, disponibilizo uma coletânea com uma reunião de grupos de ethereal.

Gothic

Vira e mexe temos pessoas que procuram saber o que faz e o que é a música gótica. Querem entender da subcultura e entender como os góticos se tornaram góticos e de onde surgiu tudo isso.

Até então nunca houve uma ênfase muito grande, dentre os textos aqui publicados, para uma das coisas mais importantes do meio: o som. Nenhum dos artigos visou explicar o que é o que dentro da subcultura em termos de sonoridade, de bandas, de elementos que ajudaram a definir a mesma. Então, caros leitores, vamos embarcar num pequeno resumo sobre o que é, de fato, o estilo que originou tudo isso, que fez com que os góticos tomassem vida (ou se levantassem de seus caixões): o gothic rock ou rock gótico.

Origens

E por onde tudo começou? Em muitos locais a informação corrente é que tudo começou com o post-punk, entre 1979 e 1983. De fato, grupos como o Joy Division ajudaram a começar tudo isso, mas vamos traçar aqui um linha musical para que você, caro leitor, possa se situar.

No princípio era o punk, com seus ideais de revolta, de protesto e de rebeldia contra todo o sistema, mesmo sem saberem, ao certo, que sistema era esse. Suas roupas rasgadas, seus cabelos e visuais que remetiam a algo mais violento.

Só que o cenário mundial pendia para outros rumos. Guerra fria, crises econômicas etc. abalaram aqueles ideais de revolta. A postura começava a mudar para a passividade do ser perante o mundo cada vez mais decadente. Em termos sonoros o punk, outrora rebelde e cheio de energia, flertaria com os novos movimentos musicais que surgiam no período. Suas letras se intelectualizariam e perderiam o ideal de revolta para ganharem idéias de tristeza, de melancolia e de morbidez perante o mundo. O visual passaria a ficar um pouco mais sóbrio que o punk, mais retrô (para a época, evidentemente). Assim nascia o post-punk. Mantendo a simplicidade do som, mas mudando radicalmente seu direcionamento.

Agora vamos dar uma pausa no post-punk. Sabendo que uma parte do estereótipo começou por aí, vamos ao grupo inglês Bauhaus, em setembro de 1979. Sonoramente falando valia-se de um post-punk com temas mais introspectivos e climas mais sombrios. Visualmente se pautavam no glam do David Bowie. Suas letras passaram a ter temas mais sombrios e humorísticos, ligados ao cinema e a movimentos de vanguarda (não que fossem os temas principais, apenas os mais visíveis). Joy Division chamado de post-punk, Siouxsie and the Banshees ainda dentro do punk-rock e o The Cure podendo ser considerado New Wave na época. Todas essas bandas tinham alguma marca do que seria chamado mais tarde de gótico. Só que o Bauhaus não entrava em nenhuma delas. Tinha influência de tudo isso e soava ainda como post-punk, mas seu estereótipo era gótico, suas temáticas seriam chamadas de góticas e, por esse motivo, é considerada a primeira banda gótica.

Agora, tirando esse estereótipo, quem de fato deu uma cara ao estilo foi o The Sisters of Mercy, que surgiu em 1980. Mais ainda que o Bauhaus, o grupo de Andrew Eldritch definiu as bases do rock gótico. Vocais grossos, instrumental carregado na melancolia, letras extremamente sombrias, visual mais “dark” entre outras coisas. Isso aconteceu no começo da década de 80. A banda, antes de lançar seu primeiro cd, The First The Last and The Always, era presa fortemente no post-punk. Mas nesse período já flertavam com a new wave e buscavam um som mais próximo do que podemos chamar de “gótico”.

Claro que um Sisters só não faz um gótico... outras bandas do mesmo período, como Danse Society e o Play Dead também começaram a fazer história. Além disso, o UK Decay sairia do post-punk e entraria com sua própria sonoridade “gótica” no cenário. Houve também a mudança sonora do Siouxsie and the Banshees, além de visual. A banda se tornaria um ícone do gothic rock com vocal feminino e serviria de base para bandas mais para frente nos anos 90.

Outra banda que também ajudou demais dentro da cena foi, sem dúvidas, o Christian Death. Tocavam um gothic rock puxado demais para o punk rock, com melodias mais agitadas que a do Sisters e cia. Suas marcas dentro da cena ajudaram a voltar para aquele lado punk que deu origem ao estilo e ainda ajudou, na década de 90, a criar outro estilo musical denominado deathrock, que flerta com o horror punk, o punk rock e o psychobilly, seja visualmente, seja sonoramente ou ambos, como se percebe nas bandas Cinema Strange e Tragic Black, apenas para citar os exemplos mais célebres.




Influências e sonoridade

Até aqui temos o começo, o que de fato fez o gothic rock surgir musicalmente falando. Mas e a sua sonoridade? O que a fez chegar onde está? O que a influenciou? O que a influencia até hoje?

Primeiro, vamos falar da base. O post-punk é a base que alicerça a sonoridade do gothic rock nos seus primórdios. Bandas como Joy Division ajudaram a dar a cara, mas o que muitos ignoram nesse ponto é o Killing Joke. Aqui cabe uma opinião pessoal e que muitos certamente não irão concordar.

O Killing é mais influente sonoramente que o Joy. Todo o flerte com a música eletrônica, a atmosfera de nostalgia, as letras tristes e voltadas para temas cada vez mais sombrios e decadentes, o visual, enfim, tudo deles influíram muito mais que o próprio Bauhaus. O banda foi apenas o alicerçamento de tudo isso e nada mais.

Teve também a influencia da new wave. O The Cure (que passaria para o gótico depois e sairia do mesmo), o New Order e outros grupos que começaram uma nova onda musical que procurava algo que se opusesse a velha onda, que estava gasta e batida. Isso trouxe os elementos eletrônicos para o gothic rock, junto com a crescente onda da música eletrônica que surgia na Europa no final da década de 70.

Não se pode ignorar também o Adam and the Ants. A carreira dele foi fortemente calcada no pop, mas por um curto período de tempo teve uma sonoridade voltada para o punk e um visual que era inspirado no fetichismo. Sua guitarra mais “distante” era somada a uma bateria tribal, coisas que marcam o som de grupos como o Sex Gang Children e o Southern Death Cult.

Claro que não se pode esquecer da influência maior em termos de visual e de sonoridade que foi o David Bowie. Inspirou o Bauhaus e boa parte da sonoridade e identidade visual de outras bandas, trazendo com ele o glam rock. Boa parte de suas letras mais voltadas para uma intelectualizada, seu visual andrógino e tudo o mais trouxe ao gótico aquilo que lhe serviria de base e o desvincularia do punk. Outros grupos, como o The Doors, T-Rex e The New York Dolls foram tão importantes quanto Bowie nesse ponto. Com o tempo, o rock gótico pegaria também sonoridades em outros locais, sobretudo na música eletrônica. Isso fica mais evidente em bandas a partir da década de 90, como o Ikon.

E com tudo isso, como podemos definir a sonoridade desse estilo, afinal de contas?

Uma coisa a ser pensada é que o som tende a ser mais atmosférico e mais “sombrio” que o rock tradicional. Sem o peso do metal, com a estética sonora ainda agarrada a alguma coisa punk. Vocais simples, em geral graves (quando masculinos) ou levemente agudos, dando uma impressão meio “desleixada” e sem a sofisticação dos vocais dentro do hardrock e do metal. Uma marcação mais forte no baixo, coisa incomum em outros gêneros de rock, onde quem manda é a guitarra. Esta vira coadjuvante, servindo apenas para dar andamento ao som. Bateria simples, quando não programada e até, em alguns casos, o uso do teclado.

Confusão com o gothic metal

Existe um grande problema, advindo do final da década de noventa com a tentativa do “revival” do gothic rock. Muitas bandas de metal sendo mostradas a um público leigo como pertencentes ao meio gótico e não passando, muitas vezes, de bandas de metal. Como isso aconteceu? Qual a razão de as pessoas confundirem duas coisas que estão distantes, extremamente distantes?

Vamos voltar um pouco ao gothic metal. O estilo, nascido do doom, começava, a partir de 1996, a pegar elementos da música gótica, sobretudo o rock gótico. Paradise Lost, Moonspell, Entwine, Type O Negative e outras tentaram colocar essa sonoridade gótica e passaram, de fato, a soarem mais góticas do que metal, embora conservassem o peso. Nesse mesmo rolo começaram a aparecer bandas de gothic rock com fortes traços de metal, como Dreadful Shadows, Seraphim Shock, Love Like Blood, que eram mais pesadas que as bandas mais convencionais e começaram a ser aceitas entre os headbangers. Isso fez indiretamente alguns pensarem que o gothic metal fosse uma “evolução” do gothic rock e que ambos eram a mesma coisa.

A segunda confusão se dá pela primeira. Em países com pouca tradição com a música gótica (sobretudo Finlândia) o nome “gothic rock” ganha muita força. Aliado ao sucesso do grupo The 69 Eyes e pela fama no meio gótico do grupo Two Witches, muitas bandas e gravadoras querem ganhar algo com esse estilo, que passou a virar uma espécie de “marca”. Partindo desse ponto, qualquer banda de metal que fizesse um som menos pesado e com algum elemento estilo Paradise Lost passaria a ser chamada de gothic rock. Esses grupos não possuem nenhum traço sonoro e visual que remetesse ao estilo citado, não caindo no gosto dos góticos. Viraram produtos para headbangers que quisessem ouvir alguma coisa nessa linha e, contudo, não quisesse fugir muito ao heavy metal. Isso fez com que as pessoas imaginassem o gothic rock como algo “sombrio” e “triste”, coisa que não corresponde à realidade.

O terceiro motivo é calcado numa outra banda, o Theatre of Tragedy. O grupo sempre teve elementos de gothic rock/darkwave em seu som, misturados inicialmente com música barroca e depois tirando esses traços, gradativamente. O vocal soprano de Liv Kristine e a proposta da banda serviram para que algumas pessoas, anos mais tarde, começassem a associar qualquer banda com vocal feminino de gótica. Desse modo temos coisas como Within Temptation e Evanescence sendo chamadas por algumas pessoas de “roque gótico”.

O último motivo se dá por duas bandas em especial. A primeira é o Lacrimosa. O projeto, inicialmente tocado por Tilo Wolff, era calcado numa proposta gothic rock mesclada com a música erudita. Essa sonoridade neoclássica caiu no gosto dos fãs de metal e agradava também os góticos. Com o tempo o projeto foi assimilando as mudanças da cena européia e o crescimento do darkwave. Com a entrada de Anne Nurmi do Two Witches e a incorporação de alguns elementos do heavy metal, o projeto passou, nesse ponto, a se focar nos headbangers. Com isso, de forma indireta, a sonoridade gótica entrou, por conta de uma mídia desinformada, no meio desse grupo, sobretudo no Brasil.

A segunda banda é o H.I.M. Tocando um pop rock bem dançante e com fortes tendências glam (sim amiguinhos, nada de love metal aqui), aliado ao fato de terem caído no gosto dos góticos, fez com que alguns achassem que era também uma banda gótica. Como eles flertam muito com o metal, foi um pulo para que bandas com sonoridade similar fossem colocadas no meio, como se fossem gothic rock. É claro que temos bandas dentro da cena gótica influenciadas pelos finlandeses, mas são poucos grupos que realmente podem ser chamados de “góticos”.

Legado e novas tendências

O gothic rock deixou um legado enorme dentro e fora da cena gótica. Vamos ver alguns pontos bem interessantes que merecem uma reflexão.

Dentro da cena vários estilos nasceram e tiveram como base o rock gótico. Deathrock, ethereal e darkwave começaram com base nesse estilo e hoje se distanciaram a ponto de criarem uma cena própria. O dito “electrogoth” pega gêneros como EBM, Synthpop, Industrial e outros e mesclam com algumas características do goth rock, em especial o vocal. Isso acontece de forma mais indireta, por conta do darkwave.

Hoje não se trabalha, dentro da cena, exatamente com uma tendência forte. O que acontece são pequenas tendências que se somam e tornam o estilo uma mistura ainda maior. Existe um certo direcionamento ao eletrônico, como tem acontecido com o Ikon e o London After Midnight. Algumas bandas tem adicionado metal ao seu som sem deixar de ser gótico, como acontece com o Dryland, Star Industry, The Awakening, Love Like Blood etc. Isso quer dizer que o metal faz parte da cena? De forma alguma, existem apenas algumas bandas que resolveram entrar nesse meio. Existe também uma série de “tributos saudosistas”, onde temos bandas, como o The Wake fazendo um som na linha do Sisters of Mercy, mas mantendo ainda um toque de modernidade.

Fora do meio temos bandas de metal se influenciado, seja sonoramente, como o Paradise Lost e o Lacrimas Profundere, seja visualmente, como no caso do Entwine ou ambos. O gothic metal, embora não necessite do gothic rock, deve muito do seu estilo ao mesmo.

Temos ainda as novas bandas, que têm buscado sua identidade sonora em outros estilos, como acontece com o Plastique Noir. Muitas bandas hoje não querem mais estar presas ao padrão Sisters of Mercy ou ficar somente nos anos oitenta. A cena vive uma renovação constante e, com o tempo, vem incorporando novas sonoridades e novos avanços na cena musical. Mas nunca irá morrer e sempre vai inovar, de uma forma ou de outra.

Para finalizar esse artigo, coloco para vocês dois cds onde eu reuni bandas acerca do estilo. No primeiro cd eu coloquei bandas da década de oitenta que ajudaram a alicerçar o gothic rock e toda a subcultura. No segundo são bandas pós-anos oitenta, para mostrar que o estilo não morreu e que continua vivo e se renovando sempre. Ou seja, sem desculpas para não saberem sobre o que é rock gótico.

Gótico: Histórico Dos Usos E Significados

Vamos pensar numa coisa bem simples: esse termo aparece em vários sites e mesmo muitas pessoas o usam de forma totalmente distorcida ou mesmo fora de contexto. Muita gente ainda acha que todos os seus significados possuem, num termo geral, uma relação direta de significação, coisa que é totalmente errada. Com isso nesse artigo eu quero expor os usos possíveis dentro de seus contextos e como um ajudou a influenciar no significado do outro, muito embora hoje eles sejam totalmente distantes.

Arquitetura Gótica

A princípio, ela se refere a um estilo arquitetônico e escultural da Idade Média, que diferia do estilo românico, baseado no modelo romano de arquitetura. Engloba também a pintura e a iluminura, que serão explicados a seguir.

Na parte da arquitetura, ela surge como contraponto à arquitetura clássica. Possui formas mais geometrizadas e retas, refletindo um fato que vai influenciar muito na pintura e na iluminura também. O homem medieval acreditava que Deus vê as coisas muito de cima e vê tudo como se fossem formas geométricas. Desse modo, há uma predominância muito grande dessas formas, que mais tarde seriam revistas pela escola de vanguarda alemã Bauhaus. O grande chamariz desse tipo de arquitetura são as catedrais. Enormes, imponentes e rebuscadas, possuem uma construção que era feita para a entrada da maior quantidade possível de luz ambiente, mostrando a grandeza de Deus e de sua pureza dentro da escuridão. Predominavam nelas também os vitrais, coloridos, que sempre tinham temas ligados à religião cristã. As torres eram sempre altas e pontiagudas, na tentativa de alcançar Deus. A escultura era um complemento à própria construção. Devido ao medo crescente do homem medieval com as invasões dos bárbaros. Gárgulas eram colocadas na tentativa de assustar os espíritos do mal (como esses bárbaros eram vistos pelas pessoas comuns). Havia nisso uma sensação muito grande de verticalidade, onde a pessoa sempre tinha a impressão de que tudo convergia para o alto e, portanto, para os céus.

Já a pintura tratava da bidimensionalidade, ou seja, não existiam planos e nem perspectiva. As imagens eram chapadas, sempre com alguma imagem divina maior ou algum demônio colocado de forma horrenda e grotesca, que servia para aumentar o medo da pessoa ir para o Inferno e que teria de enaltecer Deus. Toda a pintura medieval ligada à arte gótica vai formar uma forma geométrica reta ou mais de uma.

As iluminuras são pequenos desenhos feitos na abertura de capítulos de livros, iniciais de documentos, aliando ornamentação à pintura. Os temas são bidimensionais, da mesma forma que acontece com a pintura. Os artistas que faziam essas iluminuras eram muito bem pagos para fazerem-nas, contudo, costumavam ficar cegos com o tempo, muitos antes dos 30 anos, devido ao esforço visual que se fazia para colocar o rebuscamento que essa arte pede.

Mas por que então essa arte passou a ser chamada de gótica? Agora que entra um fator que muitos ignoram ou mesmo confundem na hora de descrever essa forma artística.

No período em que fora concebida, essa arte não tinha um nome especifico. O homem medieval não chamava aquilo tudo de gótico, tampouco lhe passava a idéia de fazê-lo. Aconteceu que, durante o período do Humanismo italiano e no começo do Renascimento, os artistas propunham uma volta aos ideais clássicos, ou seja, gregos. A arte românica, outrora pouco valorizada, ganhava um certo status. Com isso esses mesmos artistas italianos passaram a ter um certo repúdio da arte medieval, que era considerada antiquada e “tosca”. Como forma depreciativa, passaram a chamar a mesma de gótica, uma alusão ao povo godo.

Esse povo era um ancestral dos teutônicos, invadindo os impérios romanos no século III, dividindo-se em godos do leste (ostrogodos) e do oeste (visigodos). Não foram eles que construíram as catedrais góticas ou qualquer coisa relacionada com essa forma de expressão artística. Esse povo era um povo bárbaro, mais conhecido por saquear e pilhar as cidades por onde passavam. Eram nativos da Gótia, na região hoje conhecida como Suécia e migraram tanto para a península ibérica (ostrogodos) e para a península itálica (visigodos), sendo que esses últimos foram responsáveis pela conservação e manutenção de diversos monumentos romanos.

Por conta de tudo isso que aqueles antigos castelos, aquelas catedrais majestosas, entre outras construções medievais, soavam de mal gosto para os italianos renascentistas. Daí o denominativo, que ficou até hoje para designar a arte medieval.


Romance Gótico

Aqui entra a segunda conotação do termo gótico. Antes de explicar acerca dele, é preciso que entendam um pouco de literatura, sobretudo inglesa, do século XVIII até o XIX. O panorama histórico da Europa nesse período era marcado por uma Revolução Industrial muito forte, pela Revolução Francesa e pela ascensão da burguesia ao poder. Isso se refletiu muito na forma com que a literatura seria concebida na Inglaterra e, com isso, no resto do mundo.

Os escritores ingleses estavam cansados daquela linguagem artificial pregada pelos gramáticos do século anterior, com seus manuais do bem falar e do bem dizer. Cansados de terem de escrever numa linguagem que não era a que eles falavam no dia a dia. Impulsionados pela queda da monarquia absolutista e a ascensão daqueles que se diziam a favor de toda a liberdade, os escritores passaram a escrever com mais liberdade. Só que ao mesmo tempo, a cidade se mostrava um local ruim, uma vez que a própria revolução industrial mostrava sinais da desigualdade social. Era preciso sair dali. Era preciso voltar ao passado glorioso, dos tempos de cavalaria. Era preciso mostrar ao mundo que os sentimentos precisavam ser expostos, coisa proibida pelos árcades ingleses. A partir daí surgiria o Romantismo.

Apesar de ser um movimento inglês, um autor que influenciou muito na forma de como a escola literária se pautaria seria, sem sombra de dúvidas, Goethe. Com seu livro, Os sofrimentos do jovem Werther, ele inauguraria uma literatura subjetiva, voltada para o eu, para o mundo interior, que traria de volta o mito, o medo, a vontade, a alegria, a tristeza e muitas outras coisas que vinham de outros tempos. Com isso ajudaria na criação do romance, que é a forma de literatura que o Romantismo trouxe e permanece até hoje.

Com tudo isso teve começo a era mais gloriosa da literatura inglesa. Muitos escritores produziam muita coisa ao mesmo tempo, houve uma renovação da poesia e a prosa começava a ganhar uma notoriedade maior. Mesmo sendo uma literatura com valores burgueses, alguns escritores criticavam a burguesia em seus escritos, mas sem o mesmo teor que a escola realista francesa imprimiria, com a evolução da ciência humana.

Só que na Inglaterra não existiu um Romantismo dividido em fases, uma vez que se produzia de tudo naquele lugar nesse período. Existia um Percy Shelley e sua poesia forte, calcada em temas contra a dominação ao mesmo tempo em que existia um bucólico como William Wordsworth e seus temas pastoris. É possível afirmar que não existe uma unidade em termos do que, de fato, caracteriza a escola romântica inglesa e tampouco existem fases, como acontece no Brasil e em Portugal.

Dentro desse meio começam a surgir alguns romances que abordavam temas do passado, lendas, ocultismo, tudo isso com elementos ligados à morte e ao pessimismo. Isso passou a ser chamado de romance gótico.

Esse forma de romance surgiu na Inglaterra com a publicação do livro The Castle of Otranto (O Castelo de Otranto), em 1794, por Horace Walpole. A história se passa num castelo, herdado por Manfred, mas uma maldição o impede de tomar posse em definitivo. Esse romance possui como ponto central um castelo medieval e aparecem claras referências ao período medieval, como fantasmas, armaduras, passagens secretas, lendas, entre outras coisas. Um romance que desafiava a lógica científica de algumas pessoas e que se colocava em contraponto com muitas das idéias do homem pós-Revolução Industrial. Por conta desses elementos passou a ser chamada de gótica essa forma de se fazer romance, criando então o romance gótico. Ele passou a pegar elementos do teatro para aumentar a sua dramaticidade, sobretudo as tragédias de Shakespeare, visível em escritores como Ann Radcliff, Mary Shelley, Bram Stocker e outros, que também inaugurariam a literatura voltada para o horror sobrenatural, resgatando velhos mitos e colocando-os em suas obras.

Pelo fato desses romances serem carregados de uma carga imensa de melancolia, de medo, de sobrenatural e do desconhecido, qualquer romance escrito com essas características passou a ser chamado de gótico.Esse termo perdeu o caráter pejorativo que tinha, depois de muito tempo, passando a se mostrar como algo realmente rentável, atendendo a um novo público que buscava sempre comprar e adquirir as histórias assustadoras. O romance gótico então é fruto do romantismo inglês, carregando consigo os mesmos valores que qualquer obra romântica, com forte apelo a um comercialismo emergente. Só que nesse caso buscava-se mostrar a mortalidade do próprio homem frente aquilo que ele não podia controlar.

Alguns podem afirmar que Edgar Alan Poe era um escritor gótico. Alan Poe, mesmo povoando algumas de suas obras com o sobrenatural, ajudou a conceber o elemento do suspense, criando muitas das coisas que hoje se vê nos romances policiais e de suspense. Foi de grande importância para a literatura inglesa escrita na Inglaterra como um todo, influenciando gente como Conan Doyle, autor de Sherlock Holmes.

Antes de concluir essa parte, é preciso ressaltar que a literatura gótica nunca existiu. Nunca existiu também nenhuma forma de poesia chamada de “gótica”, por assim dizer. Tanto que poemas com elementos de tristeza, de sentimentalismo e outros já existiam desde o período medieval. O que os românticos acabaram fazendo foi, em alguns casos, um resgate dessas poesias e adaptarem a nova forma. O Romantismo previa a liberdade de criação (embora ainda seguindo a métrica e em alguns casos, a rima), podendo ou não usar desses elementos.





Contexto Moderno: O movimento gótico

Obs: caso queira saber sobre o gothic metal, por favor, buscar esse artigo.

Certo, até aqui o termo gótico acompanhou dois contextos, um arquitetônico e outro literário. E como esse termo veio parar no movimento dos anos 80?

A banda Joy Division foi a primeira a ser rotulada de gótica, mas não em termos de sonoridade propriamente dita, mas sim isso aliado a letras melancólicas e tristes e um visual mais retrô. Esse era o termo usado pelos jornalistas para designar qualquer banda que fosse similar ao Joy Division e também ao Siouxsie and the Banshees.

Agora, como esse termo entrou exatamente na subcultura é uma grande incógnita. A primeira hipótese é pela entrevista dada por Abbo, do UK Decay, que acabou meio que dando um “nome” a esse movimento. Na entrevista dada a revista Sounds, de fevereiro de 1982, segundo Steve Keaton: "he said 'it's gonna be a movement' and we're going nah, we'll be gone in six months. He said you've got to get a name for it, it's not dance or alternative or New Pop or mod... and I remember saying 'we're into the whole Gothic thing'... and we sat there laughing about how we should have gargoyle shaped records and only play churches. Course he put it all in the interview.. for six months everything went quiet then when the album came out everyone was asking 'what's this Gothic thing you're into?' And it's a total joke!” (Tradução: ele disse que isto ‘viria a ser um movimento’ e ‘que não éramos nenhum, nós seriamos em seis meses’. Ele disse que você daria um nome a ele, que não seria dance, alternativo, New Pop ou moderno... e me lembro dizendo ‘ estamos nessa coisa gótica toda’ e que nós estaríamos sentados, rindo sobre como teríamos gravações em forma de gárgulas e tocando somente em igrejas. Claro que ele colocou isto em toda a sua entrevista, por seis meses tudo estava quieto quando então o álbum veio e todo mundo esta perguntando ‘ o que é esta coisa gótica? Isto é uma piada!”)

E em outras entrevistas ele continuaria a usar o mesmo termo “gótico” para se referir ao movimento que até então não tinha um nome.

Outra possível paternidade para o termo é atribuída a Ian Astbury, vocalista do Southern Death Cult (que mais tarde viria a se chamar simplesmente de The Cult). Ele clama a si como o autor desse termo dentro da música, como confirmou em uma entrevista dada à Alternative Press em novembro de 1994 e na Details Magazine, em julho de 1997. num artigo intitulado "The Gloom Generation", onde cita que o termo surgiu como uma brincadeira com Andi Sex Gang, líder da banda Sex Gang Children. Isso teria acontecido pelo fato de seus fãs usar roupas similares a de grupos como Bauhaus e Specimen, grupos chamados pelos jornalistas de góticos.

Então o termo gótico aqui perdeu toda a sua ligação com a arquitetura gótica e com o romance gótico. Talvez a semelhança entre eles seja o fato de que, depois que esse termo virou corrente dentro dessa tribo urbana, muitos passaram a pesquisar coisas dentro da literatura e das artes medievais e incorporarem esses elementos em maior ou menor grau. Mas isso não liga os góticos com os romancistas ingleses e nem com os godos, tampouco os liga com a arquitetura medieval francesa, que fugia da estética clássica e buscava exaltar a grandeza de Deus. É apenas um movimento que nasceu de uma “evolução” da cena post-punk na década de oitenta e não possui, portanto, nenhuma ligação com o período medieval e nem com seitas místicas ou mesmo com bases ideológicas.


Referências

Para quem quiser saber mais sobre os temas abordados nesse artigo, eu recomendo a leitura de alguns livros e sites, que discrimino abaixo:

Sites

História da Arte
Contém resumos muito interessantes sobre diversos movimentos artísticos. É bem completo, vale uma lida.

Scathe Demon
Não adianta chiar, esse é o melhor site sobre a subcultura gótica que tem na net, com muitas informações preciosas acerca da cena.

Luminarium
Com muita informação sobre a literatura inglesa e com links para os textos.



Livros

___, Adventures in English Literature. HOLT, RINEHART & WINSTON, 1996
Um livro muito bacana sobre literatura inglesa, com textos bem abrangentes.

Sampson, George; Churchill, R. C. The Concise Cambridge History of English Literature. Cambridge University Press; 3 edition, 1970.
O melhor livro sobre literatura inglesa, com um capítulo enorme sobre o romantismo inglês.

What Lies Beneath?

What Lies Beneath é o terceiro álbum de estúdio da cantora finlandesa Tarja Turunen, com lançamento previsto para setembro de 2010.

Tarja concluiu a gravação de seu novo álbum nesse mês de agosto, e lançou seu primeiro single I Feel Immortal. A cantora ainda colocou em seu site oficial mais duas músicas: Until My Last Breath e Falling Awake , que mostram um pouco mais sobre seu novo álbum. As músicas estarão disponibilizadas para download após o lançamento oficial do álbum em setembro. Em uma entrevista na revista Metalhead ela disse: "(...)será uma continuação do método usado em My Winter Storm, será um álbum de experimentações; mas alguns elementos serão mais trabalhados, como a guitarra em algumas músicas. É um album mais maduro e mais pessoal do que o primeiro". Na Romênia , Tarja disse que o álbum "(...)possui músicas mais maduras. Pessoas a minha volta me afetam, assim como os livros de Paulo Coelho , a natureza e os mistérios da vida.

Tarja Turunen agora se lança como produtora, isso por ela ter feito toda a produção do seu novo álbum. Ela escreveu em torno de 30 músicas, gravando apenas 17. Durante uma pausa da turnê "Storm Tour", Tarja teve tempo de escrever duas músicas, "Enough" e "Wisdom Of Wind", mas essas foram lançadas em uma versão editada de My Winter Storm.

Faixas

# Título Duração
01. "Anteroom of Death" 4:41
02. "Until My Last Breath 4:24
03. "I Feel Immortal" 4:36
04. "In For a Kill" 4:38
05. "Underneath" 5:27
06. "Little Lies" 4:37
07. "Rivers of Lust" 4:24
08. "Dark Star" 4:33
09. "Falling Awake" 5:14
10. "The Archive of Lost Dreams" 4:49
11. "Crimson Deep" 7:36
12. "We Are" 4:16
13. "Naiad" 7:19
14. "Still Of The Night" 6:34

Nota:
  1. Na versão americana do album, é incluida no lugar de "I Feel Immortal" a música "Montañas de Silencio".
  2. A música "If You Believe" foi colocada como B-Side do single de "Until My Last Breath".

Singles

  • Falling Awake - Um clipe promocional foi lançado no blog oficial do album. O clipe mostra a banda em estudio no processo de gravação.
  • I Feel Immortal - O clipe foi filmado em uma praia da Islândia. O clipe mostra Tarja caminhando na praia, em alguns paredões de rochas da mesma praia e em uma cachoeira.
  • Until My Last Breath - Em um comunicado no blog oficial "What Lies Beneath", Tarja disse que a música terá duas versões de video clipe. A primeira já lançada, mostra Tarja na mesma praia da Islândia do clipe "I Feel Immortal", além de mostrar um megulhador nadando cada vez mais fundo. A segunda versão ainda não foi divulgada. O single consta também com a música "If You Believe", um B-side exclusivo.


(Deluxe Edition)


Saturday, January 9, 2010

O que define o Dark Metal?


Mais que nunca, rótulos servem, acima de tudo, para separar bandas com sonoridades ou linhas sonoras parecidas. Pode parecer estranho dizer isso, mesmo com a banda possuindo certa identidade, mas pensem numa coisa: mesmo o Death e o Cannibal Corpse sendo bem diferentes entre si, eles guardam boas semelhanças sonoras a ponto entrarem na categoria Death Metal. Contudo, e quando uma classificação não é tão exata ou é dada a conceitos menos precisos? E quando a mídia distorce essa classificação em nome do lucro fácil? O Gohic Metal sofre com isso, uma vez que o próprio estilo carece de certa identidade musical, onde coexistem bandas como Moonspell e Mortal Love que, embora pertençam ao mesmo estilo, possuem características sonoras distintas. Isso cria uma confusão dos diabos, faz com que muitas pessoas acabem não “se entendendo” e com isso surgem generalizações desnecessárias. Nesse contexto entra o Dark Metal. Por ser um estilo pouco divulgado, com poucas bandas (perdendo apenas para o drone e o funeral doom) e um público bem seleto e restrito. Dificulta o fato de não existirem, nesse meio, bandas grandes e mundialmente reconhecidas.


Origem
O termo Dark Metal surgiu em 1994, com o lançamento do cd de mesmo nome pela banda alemã Bethlehem. A sonoridade desse cd é basicamente uma mistura de doom metal com black metal bem cru e direto. Com fortes influências de Venom e Celtic Frost, o grupo já mostrava um direcionamento diferente de outras bandas de doom no mesmo período, como o Katatonia e o My Dying Bride. Traz no som também uma forte marca do doom tradicional, com seu som arrastado. Contudo, não tinha aquela pegada suja do black metal e nem carregada do doom. Esse cd pode ser considerado também um cd de doom/black, como, aliás, muitos consideram. Mas o tanto de inovações, mais a adição de elementos diversificados fez com que abrisse as portas para um novo estilo, que não pertenceria mais nem a cena doom e nem a cena black, atraindo pessoas que normalmente não ouviria nenhum dos dois estilos separadamente.
Mais tarde, nos cds seguintes, a banda foi incorporando elementos de outros estilos, sobretudo de rock alternativo, mas sem deixar de lado a parte metal, como fizera, anos mais tarde, o Paradise Lost em seus cds influenciados pelo synthpop do Depeche Mode. Só que existe uma grande controvérsia em quem teria sido, de fato, o pai desse estilo. Muitos atribuem ao Katatonia antigo (sobretudo pelo Dance of December Souls) a criação do que seria, de fato, o dark metal. É possível notar sim uma paternidade pelo lado deles, sobretudo pela fusão Black/Doom metal. Só que as temáticas sonoras sempre remetem ao doom, indiferentemente do que acontece com o Bethlehem.


O estilo
Predominantemente o estilo se pauta numa sonoridade black/doom metal. Com o tempo, as bandas passaram a incorporar elementos de darkwave, death metal, progressivo e, em alguns poucos casos, até mesmo gothic metal.
Só que sonoramente as bandas de dark metal são mais velozes e mais brutais do que normalmente se vê no doom metal. Não possuem aquele vocal lírico do doom tradicional e nem tem suas raízes tão fortes dentro do hardrock, lembrando muito, mas muito pouco o doom metal. Há algumas bandas, como o October Falls, que incorpora elementos de folk metal e o Of the Archangel, que coloca elementos de doom melódico. O que se pode perceber é que o dark metal é uma grande salada de ritmos misturados à linha doom/black metal. Vemos darkwave no Anno Zero, música erudita no My Threnody, Dark Ambient no Winter of Vehemence etc.


A confusão com o Gothic Metal e outras bandas
Devido a ter uma mesma origem, o dark metal é muitas vezes confundido com o gothic metal. Coisa bastante comum, uma vez que as bandas daquele se influenciam por este. Contudo, há diferenças notáveis entre ambos.

Mesmo com quase total afastamento do doom, o dark metal ainda guarda algum resto dessa sonoridade. A sonoridade tende a ser mais enérgica e menos introspectiva dentro do estilo que no gothic metal, onde há uma certa predominância pelos climas melancólicos. Por isso há também um nível maior de experimentação que no gothic metal, sem, contudo, cair na música eletrônica.

Muita gente confunde Tiamat e Therion com dark metal. Só que essas bandas não possuem sua sonoridade calcada no black/doom metal, mesmo com o Therion tendo começado com um som black/thrash e o Tiamat com um som Death/Black, passando por alguma coisa progressiva no Wildhoney. Por isso, definitivamente, não há correlação entre essas bandas e bandas de gothic metal como pertencentes ao dark metal, por mais sombrios e melancólicos que possam soar.


A Falta de identidade
E chegamos no maior problema do estilo. Como ele se identifica? Que tipo de fã ele atrai? Quem são os nomes grandes? A resposta: não há nada disso. O estilo possui fás em diversos nichos e cai no gosto de quem geralmente não ouviria gothic metal ou mesmo metal mais extremo, pela extrema variedade de opções que o estilo traz para o metal. Não possui aquela coisa toda sombria do gothic metal, nem aquele peso exagerado e vocais urrados do metal extremo e nem mesmo aquele clima carregado do doom metal. Mas é também um pouco de cada um deles. E é por isso, de uma vez por todas, que o estilo é algo em constante mudança e transformação.

Atrasados de 2009

David Guetta - One Love




One Love é o quarto album de estúdio da French house DJ David Guetta.
Foi lançado a 24 de Agosto de 2009 na Europa e, 25 de Agosto Nos Estados Unidos.
Também foi lançada uma versão dupla (Deluxe) do disco; o segundo disco contêm mixagens extendidas, além de duas novas músicas.
O álbum recebeu três indicações para o 52nd Grammy Awards nas categorias, melhor gravação dance remixada e melhor gravação, não-clássica para a música "When Love Takes Over".
Também foi nomeado como melhor álbum eletrônico/dance.

Tracklist:
01. When Love Takes Over (ft Kelly Rowland)
02. Gettin’ Over (ft Chris Willis)
03. Sexy Bitch (ft Akon)
04. Memories (ft Kid CuDi)
05. On The Dancefloor (ft Will.I.Am & Apl De Ap)
06. It’s The Way You Love Me (ft Kelly Rowland)
07. Missing You (ft Novel)
08. Choose (ft Ne-Yo & Kelly Rowland)
09. How Soon Is Now (Dirty South ft Julie McKnight)
10. I Gotta Feeling (FMIF Remix)
11. One Love (ft Estelle)
12. I Wanna Go Crazy (ft Will.I.Am)
13. Sound Of Letting Go (ft Chris Willis)
14. Toyfriend (ft Wynter Gordon)
15. If We Ever (ft Makeba)

Tamanho: 80MB


Download!


P.S. Caso o arquivo solicite senha para descompactar, digite no campo "senha" o abaixo escrito:

www.musicground.com.br

Saturday, December 12, 2009

Discografia: Tarja Turunen


Tracklist

1. En Etsi Valtaa Loistoa
2. Kun Joulu On
3. En Etsi Valtaa Loistoa (acústico)
4. Kun Joulu On (acústico)





Tracklist

1. Kuin Henkäys Ikuisuutta
2. You Would Have Loved This
3. Happy New Year
4. En Etsi Valtaa, Loistoa
5. Happy Christmas
6. Varpunen Jouluaamuna
7. Ave Maria
8. The Eyes of a Child
9. Mökit Nukkuu Lumiset
10. Jo Joutuu Ilta
11. Marian Poika
12. Magnificat: Quia Respexit
13. Walking In The Air
14. Jouluyö, Juhlayö





Tracklist

1. Ite, Missa Est
2. I Walk Alone
3. Lost Norther Star
4. Seeking For The Reign
5. The Reign
6. The Escape Of The Doll
7. My Little Phoenix
8. Die Alive
9. Boy And The Ghost
10. Sing For Me
11. Oasis
12. Poison
13. Our Great Divide
14. Sunset
15. Damned And Divine
16. Minor Heaven
17. Ciarán's Well
18. Calling Grace

Faixas bônus:

Damned Vampire & Gothic Divine (Versão estendida)
I Walk Alone (Artist version)
I walk Alone (In Extremo remix)
The Seer (Deleted scene) - UK bônus
You Would Have Loved This (Live) - EUA bônus
Damned And Divine (Live) - EUA bônus
Ciarán's Well (Live) - Japão bônus
Our Great Divide (Live) - Japão bônus





Edição de colecionador
Tracklist

CD 1

 
1 Ite, Missa Est
2 I Walk Alone
3 Lost Northern Star
4 Seeking For The Reign
5 The Reign
6 The Escape Of The Doll
7 My Little Phoenix
8 Boy And The Ghost
9 Sing For Me
10 Oasis
11 Poison (Alice Cooper Cover)
12 Our Great Divide
13 Sunset
14 Damned And Divine
15 Die Alive
16 The Seer (Deleted Scene)
17 Minor Heaven
18 Ciarán’s Well
19 Calling Grace

 

CD 2
 
1 Enough
2 The Seer (featuring Doro Pesch)
3 Lost Northern Star (Tägtgren Remix)
4 Wisdom of Wind
5 The Reign (Score Mix)
6 Die Alive (Alternative Version)
7 Boy and the Ghost (Izumix)
8 Calling Grace (Full Version)
9 Lost Northern Star (Ambience Sublow Mix)

10 Damned and Divine (live in Kuusankoski)
11 You Would Have Loved This (live in Kuusankoski)
12 Our Great Divide (live in Kuusankoski)
13 Ciarán's Well (live in Kuusankoski)




Tracklist
1.The Seer (Featuring Doro Pesch)
2. Lost Northern Star (Tagtren Remix)
3. The Reign (Score Mix)
4. Die Alive (Alternative Version)
5. Boy And The Ghost (Izu Mix)
6. Calling Grace (Full Version)
7. Lost Northern Star (Ambience Sub Low Mix)
8. Damned And Divine (Live In Kuusankoski)
9. You Would Have Loved This (Live In Kuusankoski)
10. Our Great Divide (Live In Kuusankoski)
11. Ciarán's Well (Live In Kuusankoski)




Tracklist

01. Die Alive
02. Die Alive (Alternative Version)
03. Lost Northern Star (Ambience Sublow Mix)
04. Calling Grace (Full Version)
Tamanho: 20MB




Tracklist

01. Enough (versão do single)
02 . Enough (Versão do álbum)
03. Wisdom of Wind




Tracklist

01. Anteroom Of Death (Feat. Van Canto)
02. Until My Last Breath
03. I Feel Immortal
04. In For A Kill
05. Underneath
06. Little Lies
07. Rivers Of Lust
08. Dark Star (Feat. Phil Labonte)
09. Falling Awake (Feat. Joe Satriani)
10. The Archive Of Lost Dreams
11. Crimson Deep (Feat. Will Calhoun)

Deluxe Edition
01. We Are
02. Naiad
03. Still Of The Night




2013 - Colours In The Dark 
 Tracklist
1. Victim of Ritual
2. 500 Letters
3. Lucid Dreamer
4. Never Enough
5. Mystique Voyage
6. Darkness
7. Deliverance
8. Neverlight
9. Until Silence
10. Medusa